Campo Harmônico Maior: os 7 Acordes na Guitarra e no Baixo

Campo Harmônico Maior: os 7 Acordes na Guitarra e no Baixo

Introdução

Porra, você toca C, Dm, Em, F, G e Am desde o primeiro mês e ainda trata essa fila como sorteio de cifra. Aí o cantor pede Sol, a mão trava, e o braço inteiro vira território inimigo. Isso não é falta de ouvido, cabeça de bagre. É falta de ver que esses acordes são parentes, não figurinhas soltas.

Campo harmônico maior é a família de sete acordes que nasce da escala maior. A ordem da família não muda quando o tom muda. Muda a nota de partida. Por isso a mesma música cabe em Dó e em Sol sem você caçar desenho novo no escuro.

Além disso, a fórmula dos acordes já te deu a tríade. A escala maior já te deu a escada. Aqui as duas sobem juntas. No fim você monta os sete acordes de qualquer tom maior, na guitarra e no baixo, e ainda leva um exercício em Sol pra provar que o mapa saiu do papel.

Por Que a Cifra Parece Sorteio

Por Que a Cifra Parece Sorteio

A família de um tom só

Antes de mais nada, esquece a ideia de que cada acorde da cifra foi escolhido no chute. Dentro de um tom maior existe um grupo fechado de sete acordes. Eles usam só as notas daquela escala. Se a música está em Dó maior, a escala é Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si. Os acordes da família são feitos com essas sete notas e com mais nenhuma.

Assim, quando a cifra fica em C, Dm, Em, F, G e Am, ela não está inventando moda. Está andando dentro da casa. O sétimo morador, o Si diminuto, aparece menos nos refrões de iniciante, mas ele mora aí também. A casa tem sete peças, não seis.

I, IV e V não caem do céu

A progressão I-IV-V que você já tocou sem saber o nome é um recorte dessa família. Em Dó, I é C, IV é F, V é G. Três acordes maiores. Não são os três mais fáceis de sorte. São os três graus que, na escala maior, empilham uma tríade maior.

Por isso a cifra “simples” soa estável. Você está pisando nos três pilares do tom. O resto da família (os menores e o diminuto) colore o caminho entre esses pilares. Sem o mapa, parece gosto. Com o mapa, é endereço.

A Ordem que Nunca Muda

A Ordem que Nunca Muda

Empilhar terça em cada grau

Então pega a escala e, em cada nota, monta uma tríade do jeito que a fórmula já ensinou: fundamental, pula uma, terça, pula uma, quinta. Só que a terça e a quinta têm que continuar dentro da escala. Você não sai buscando a terça “de ouvido genérico”. Você pega a nota que a escala oferece.

Em Dó maior, a primeira nota é Dó. A terça disponível é Mi. A quinta disponível é Sol. Dó, Mi, Sol. Acorde maior. Na segunda nota, Ré, a terça disponível é Fá, não Fá sustenido, porque Fá sustenido não mora nessa escala. Ré, Fá, Lá. Acorde menor. A qualidade não é escolha estética. É o que sobrou quando você se recusou a trazer nota de fora.

Maior, menor, menor, maior, maior, menor, diminuto

Por isso a fila é sempre a mesma, em qualquer tom maior. Grava essa ordem, porque ela vale pra vida inteira:

  1. Maior
  2. Menor
  3. Menor
  4. Maior
  5. Maior
  6. Menor
  7. Diminuto

São três maiores, três menores e um diminuto. Se a sua lista fechou com quatro maiores, você abaixou a terça de alguém no lugar errado. Se fechou sem diminuto, você deixou a quinta do sétimo grau justa, e essa quinta justa não cabe na escala.

Além disso, essa ordem é o campo harmônico maior inteiro em uma frase. O resto do texto só veste nota em cima dela.

O algarismo romano conta o cargo

O grau ganha um número romano pra você transportar sem arrastar nome de acorde. Maior vai em letra maiúscula: I, IV, V. Menor vai em letra minúscula: ii, iii, vi. O diminuto leva o vii com um círculo, vii°. O número conta a posição na escala. A caixa da letra conta a qualidade.

Assim, I-V-vi-IV não é uma cifra. É um cargo. Em Dó, o cargo vira C, G, Am, F. Em outro tom, os cargos continuam e os nomes trocam. É por isso que dá pra ler uma música em romanos e tocar em qualquer tom sem traduzir acorde por acorde no desespero.

Os Sete Acordes de Dó, Nota por Nota

Os Sete Acordes de Dó, Nota por Nota

A escala primeiro

Primeiro a escada, senão o acorde mente. Dó maior, na ordem, é isto:

Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si.

Se o tom e o semitom ainda embaralham, olha os dois lugares onde a escala anda uma casa só: entre Mi e Fá, e entre Si e Dó. No resto, anda um tom. Confere isso antes de empilhar acorde. Escala furada fabrica acorde furado.

Cada tríade

Agora empilha. Cada linha é um grau, as três notas e o nome que a cifra usa:

  • I: Dó, Mi, Sol. C.
  • ii: Ré, Fá, Lá. Dm.
  • iii: Mi, Sol, Si. Em.
  • IV: Fá, Lá, Dó. F.
  • V: Sol, Si, Ré. G.
  • vi: Lá, Dó, Mi. Am.
  • vii°: Si, Ré, Fá. Bdim.

Repara no vi. Lá, Dó, Mi é Lá menor, o parente triste de Dó maior. Muita cifra popular descansa nele no meio da frase e volta pro I. Ele não é “outro tom” só porque é menor. Dentro de Dó, ele é o sexto grau da casa.

O diminuto e a quinta abaixada

O vii° é o morador que a galera finge que não existe. Si, Ré, Fá. A terça Si-Ré é menor, igualzinho à terça de um acorde menor. A diferença está na quinta. A quinta justa de Si seria Fá sustenido. Fá sustenido não está na escala de Dó. O que está é Fá natural, uma casa abaixo. Quinta abaixada mais terça menor é tríade diminuta.

Portanto Bdim não é “Si menor com nome esquisito”. Si menor seria Si, Ré, Fá sustenido. Esse Fá sustenido abre a porta e sai do tom de Dó. Se você troca o diminuto por menor, você desafinou a família inteira pra deixar o dedo mais confortável. Conforto de dedo não manda na escala.

O Mesmo Mapa em Sol

O Mesmo Mapa em Sol

A escala de Sol e o Fá sustenido

Sol maior usa a mesma escada, começando em Sol: Sol, Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá sustenido. Uma alteração só. O Fá da escala de Dó sobe meio tom e vira Fá sustenido. O resto dos nomes continua natural.

Então, se na sua lista de Sol aparecer Fá natural, para. Você ainda está com a escala de Dó na cabeça, só que começou a contar no Sol. É o erro mais comum de quem muda de tom: carrega as notas velhas e troca só o primeiro acorde.

As sete tríades

A ordem de qualidade não pede licença. Maior, menor, menor, maior, maior, menor, diminuto. Em Sol:

  • I: Sol, Si, Ré. G.
  • ii: Lá, Dó, Mi. Am.
  • iii: Si, Ré, Fá sustenido. Bm.
  • IV: Dó, Mi, Sol. C.
  • V: Ré, Fá sustenido, Lá. D.
  • vi: Mi, Sol, Si. Em.
  • vii°: Fá sustenido, Lá, Dó. F#dim.

Olha o que viajou e o que ficou. Am, C e Em já estavam na família de Dó, e continuam aqui, com outro cargo. Em Dó, Am era vi. Em Sol, Am é ii. O nome do acorde é o mesmo. O emprego mudou. É por isso que copiar o desenho sem olhar o romano te deixa perdido na função.

O acorde novo de verdade, pra quem só viveu em Dó, é o F#dim, e o Bm, que pede o Fá sustenido na terça. Os dois denunciam a armadura. Se o Fá sustenido sumiu, o tom de Sol sumiu junto.

I-V-vi-IV viajando de tom

A mesma frase de quatro cargos prova a viagem. I-V-vi-IV em Dó é C, G, Am, F. O começo de Let It Be, dos Beatles, senta exatamente nessa fila antes de seguir o caminho. Em Sol, os mesmos cargos viram G, D, Em, C. Nenhuma nota foi sorteada de novo. Você andou I, V, vi, IV na família nova.

With or Without You, do U2, faz a mesma fila em Ré: D, A, Bm, G. Três tons, um romano só. Quando alguém disser “sobe um tom”, você não precisa de uma cifra nova caída do céu. Precisa da escala nova e dessa ordem.

No Braço: Guitarra e Baixo

No Braço: Guitarra e Baixo

Os abertos de Dó que você já conhece

Na guitarra, a família de Dó já está na sua mão, mesmo que você nunca tenha chamado isso de campo harmônico. Confere as notas, não só o formato:

  • C: x32010. Dó, Mi, Sol.
  • Dm: xx0231. Ré, Fá, Lá.
  • Em: 022000. Mi, Sol, Si.
  • F: xx3211. Fá, Lá, Dó. O F com pestana, 133211, é o mesmo acorde com mais cordas.
  • G: 320003. Sol, Si, Ré.
  • Am: x02210. Lá, Dó, Mi.
  • Bdim: x2343x. Si, Fá, Si, Ré. Tem Si, Ré e Fá. Não tem Fá sustenido.

Toca a fila em ordem, um acorde por vez, e fala o romano em voz alta. I, ii, iii, IV, V, vi, vii°. Se a boca diz “menor” no G, a boca está mentindo. G é V, e V é maior.

As casas 3, 5, 7, 8, 10, 12 e 14

Acorde aberto ajuda em Dó e te abandona em Fá sustenido. O mapa que viaja é uma corda só. Na corda Lá, a escala de Dó maior cabe nestas casas, da fundamental até o vii:

3, 5, 7, 8, 10, 12, 14.

Casa 3 é Dó. 5 é Ré. 7 é Mi. 8 é Fá. 10 é Sol. 12 é Lá. 14 é Si. As qualidades, na mesma ordem, são maior, menor, menor, maior, maior, menor, diminuto. Dois saltos dessa fila andam uma casa só: de 7 pra 8 (Mi-Fá) e, se você seguir até a oitava do Dó, de 14 pra 15 (Si-Dó). Se os dois intervalos de meio tom sumirem, você não montou escala maior.

A mesma fila de casas, na corda Mi, começa em Sol. Casa 3 da corda Mi é Sol, não Dó. O desenho não mudou. A nota de partida mudou. Por isso guitarra e baixo dividem o exercício: as cordas Mi e Lá estão afinadas nos mesmos nomes nos dois instrumentos. O baixo soa uma oitava abaixo. A casa é a mesma.

Se a casa 14 ficar longe no seu instrumento, o Si da corda Lá também mora na casa 2, uma oitava abaixo do 14. Aí você desce pra falar o vii, em vez de subir. Não enfia a casa 2 no meio da subida. Senão a frase cai no buraco e você acha que a escala quebrou.

Se achar nota ainda custa uma eternidade, o mapa de notas no braço corta esse atraso. Campo harmônico sem nota é desenho com nome emprestado.

A terça uma corda acima

Fundamental sozinha não entrega a qualidade. O power chord prova isso o tempo todo: quinta justa em cima da tônica, e o acorde fica sem dizer se é maior ou menor. A terça é quem denuncia.

Na corda seguinte, mais aguda, a conta é curta. Terça maior fica uma casa atrás da casa da fundamental. Terça menor fica duas casas atrás. Em Dó, fundamental na corda Lá, casa 3. A terça maior, Mi, está na corda Ré, casa 2. Em Ré menor, fundamental na casa 5 da corda Lá. A terça menor, Fá, está na corda Ré, casa 3.

No vii a quinta também muda. A quinta justa de Si seria Fá sustenido. No diminuto ela desce pra Fá. No formato x2343x, esse Fá está na corda Ré, casa 3, enquanto o Si está na corda Lá, casa 2. Toca Si menor no lugar disso e você colocou o Fá sustenido que a escala de Dó não pediu.

Violão na mesma afinação

Violão com afinação padrão, E A D G B E, usa as mesmas casas da guitarra. O exercício não ganha um segundo mapa. Baixo de quatro cordas, E A D G, usa as mesmas casas nas duas cordas graves. Baixista, ninguém te deixou de fora. A diferença é que você toca uma nota por vez: fundamental, depois terça, em vez de empilhar as seis cordas.

Com Sétima, Só o Quinto Vira Dominante

Com Sétima, Só o Quinto Vira Dominante

A ordem das tétrades

Tríade já monta o campo. A sétima só acrescenta mais uma terça, ainda dentro da escala. A ordem das qualidades, em tom maior, também é fixa:

  1. Maior com sétima maior (maj7)
  2. Menor com sétima (m7)
  3. Menor com sétima (m7)
  4. Maior com sétima maior (maj7)
  5. Dominante (7)
  6. Menor com sétima (m7)
  7. Meio-diminuto (m7b5)

Em Dó, os nomes ficam assim: Cmaj7, Dm7, Em7, Fmaj7, G7, Am7, Bm7b5. As notas do G7 são Sol, Si, Ré, Fá. As do Cmaj7 são Dó, Mi, Sol, Si. As do Bm7b5 são Si, Ré, Fá, Lá. Repara que o Si diminuto ganhou o Lá e virou meio-diminuto. A quinta continua abaixada.

Por que o G7 nasce dentro de Dó

Aqui mora a confusão que faz a cifra de sétima parecer loteria. A sétima de Sol, se você subir sete da escala de Sol maior, seria Fá sustenido. Só que Fá sustenido não está em Dó maior. A nota da casa é Fá natural. De Sol até Fá natural tem uma sétima menor, não uma sétima maior. Tríade maior com sétima menor é dominante. Por isso o V do campo maior é G7, e não Gmaj7.

O I e o IV não passam por essa curva. A sétima de Dó dentro da escala é Si, colada na oitava. A sétima de Fá dentro da escala é Mi, também colada na oitava. As duas são sétimas maiores. Logo Cmaj7 e Fmaj7. Só o quinto grau, entre as sete tétrades diatônicas, carrega o 7 de dominante.

Se você quer ouvir essa diferença sem misturar função, o guia de maj7, menor 7 e dominante separa as três cores. O ii-V-I usa três delas em fila: Dm7, G7, Cmaj7. Segundo, quinto e primeiro. O campo inteiro reduzido ao caminho que o jazz mais repete.

O blues que pinta I e IV de dominante

No blues de 12 compassos, o I, o IV e o V costumam aparecer como dominante. Em Mi, E7, A7 e B7. Pelo mapa de hoje, só o V “deveria” ser 7. O blues pinta o I e o IV de dominante de propósito. É jeito do estilo, não é o campo maior puro.

Então não sai corrigindo C7 de um blues pra Cmaj7 achando que está salvando a teoria. Você estaria apagando o blues. E não sai chamando todo C7 da vida de “primeiro grau de Dó”, porque um dominante também aparece de visita, empurrando pra um acorde que não é o I. O mapa de hoje é a família de dentro. Visita é outra conversa.

Erros que Fazem o Tom Desandar

Erros que Fazem o Tom Desandar

Tratar todo acorde do tom como maior

O zé ruela pega a escala de Ré e monta sete Ré maiores empilhados em cada grau. Ré maior, Mi maior, Fá sustenido maior, e por aí vai, tudo com terça maior. Soa como outra música, porque é outra música. A terça maior só cabe no I, no IV e no V. No ii, no iii e no vi ela é menor. Conferiu e achou quatro maiores? Volta na escala. Alguém entrou de fora.

Chamar o vii de menor

Si menor em Dó é o disfarce mais educado do erro. A mão acha Bm mais conhecido que Bdim e empurra o Fá sustenido. A quinta justa não cabe ali. O grau vii pede quinta abaixada. Na dúvida, canta a quinta justa e desce uma casa. Se a casa de baixo é que está na escala, o acorde é diminuto.

Confundir o relativo com troca de família

Lá menor é o vi de Dó maior e também é o centro de Lá menor natural. Os sete acordes são os mesmos: Am, Bdim, C, Dm, Em, F, G. O que muda é onde a frase senta. Se senta em Dó, você está em Dó maior e o Am é vi. Se senta em Lá, você está em Lá menor e o Am é i.

Por isso “os acordes são de Dó” não responde sozinho. Escuta o repouso. No menor natural, o v também é menor: em Lá, o Em, não o E maior. Quando a música em menor quer um dominante de verdade, ela sobe o sétimo grau e o V vira maior. Esse empurrão é a escala harmônica menor. Guarda a porta. Hoje a casa é a maior.

Achar que música só usa esses sete

Música real sai de casa. Um acorde de fora não quebra o mapa. Ele marca uma visita. O campo harmônico diz quem é da família, pra você perceber quando a cifra pisou fora. Se tudo que foge do sete vira pânico, você transformou o mapa numa prisão. Se nada tem família, a cifra volta a ser sorteio.

Pular a escala e chutar o acorde

Esse é o mais teimoso. A pessoa pergunta “qual é o quarto grau de Mi maior?” e tenta lembrar um desenho, em vez de cantar Mi, Fá sustenido, Sol sustenido, Lá. O quarto grau é Lá, e Lá nesse tom é maior, porque IV é maior. Sem a escala, o romano não tem onde pousar. Com a escala, a resposta cabe numa frase.

Perguntas Frequentes

Perguntas Frequentes

O menor natural é outro saco de acordes?

Não é outro saco. É a mesma família do relativo maior, lida a partir do vi. Lá menor natural e Dó maior dividem as notas e os sete acordes. Os romanos é que começam em lugares diferentes. O detalhe que muda o ouvido é o v: menor no natural, maior quando entra a harmônica. Se o dominante da música menor está maior, você já saiu do campo natural.

Preciso de doze mapas?

Precisa de um. Doze tons maiores cabem na mesma ordem de qualidade. Doze escalas, porque a nota de partida muda. Um único roteiro de “maior, menor, menor, maior, maior, menor, diminuto”. Quem grava doze tabelas separadas está colecionando o que a regra já entregou de graça.

Power chord conta como maior?

Não conta. Power chord é fundamental e quinta, às vezes com a oitava. Sem terça, ele não declara maior nem menor. Na distorção isso é uma bênção, porque a terça menor e a maior batem feio no ganho. No campo harmônico, a terça continua existindo na música, mesmo quando a guitarra não toca ela. O baixo e a voz muitas vezes entregam o que o power chord escondeu.

Quando a sétima entra no estudo?

Depois que as sete tríades saem sem consulta. A sétima não troca a ordem dos graus. Ela só completa o acorde. Se a tríade de Sol ainda sai como menor na sua mão, enfiar G7 por cima é construir o segundo andar numa parede torta. Tríade firme, aí sim a tétrade. O V dominante é o primeiro 7 que vale a pena reconhecer, porque é o único da família maior.

Exercício: Monte o Campo de Sol sem Colar

Exercício: Monte o Campo de Sol sem Colar

Tapa a seção de Sol. Metrônomo a 60, uma nota por tempo quando for linha, quatro tempos quando for acorde. Nada de olhar a lista antes de escrever a sua.

A escala no papel

Escreve as sete notas de Sol maior. A fórmula continua tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom. O resultado tem que ser Sol, Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá sustenido. Se o sétimo saiu Fá natural, a escala ainda é a de Dó começada no meio. Refaz.

Sete tríades no braço

Empilha terça e quinta dentro dessa escala e escreve o nome de cada acorde. Aí confere na guitarra, nesta ordem:

  • G: 320003
  • Am: x02210
  • Bm: xx4432 (Si, Ré, Fá sustenido)
  • C: x32010
  • D: xx0232
  • Em: 022000
  • F#dim: xx4212 (Fá sustenido, Lá, Dó)

Fala o romano antes de tocar. I maior, ii menor, iii menor, IV maior, V maior, vi menor, vii diminuto. Se a conferência bater com G, Am, Bm, C, D, Em e F#dim, a família está de pé.

I-V-vi-IV a 60

Toca G, D, Em, C. Quatro tempos em cada. Duas voltas. Essa é a mesma frase de Let It Be, transportada pra Sol. Se você precisou parar pra “lembrar o desenho de Ré”, o V ainda é figurinha, não grau. Ré é o quinto de Sol. Quinto é maior. O desenho xx0232 só confirma o que a escala já disse: Ré, Fá sustenido, Lá.

O baixo nas fundamentais

Na corda Mi do baixo, ou na corda Mi grave da guitarra, sobe as casas 3, 5, 7, 8, 10, 12 e 14. Fala junto: Sol, Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá sustenido. As qualidades na boca: maior, menor, menor, maior, maior, menor, diminuto.

Em seguida, acrescenta a terça na corda Lá, uma nota depois da fundamental. Terça maior, uma casa atrás. Terça menor, duas casas atrás. A fila de terças, nessas fundamentais, cai nas casas 2, 3, 5, 7, 9, 10 e 12 da corda Lá. Si, Dó, Ré, Mi, Fá sustenido, Sol, Lá. Toca devagar e confere o nome. Se a terça de Sol saiu na casa 1, você desceu duas casas e fez menor, um Si bemol. Sol é I. I é maior. A casa certa é a 2, o Si.

No diminuto, a quinta justa de Fá sustenido seria Dó sustenido. A escala pede Dó natural. No baixo, uma forma baixa de ouvir isso: Fá sustenido na corda Mi, casa 2, Lá na corda Lá solta, Dó na corda Lá, casa 3. Uma nota por vez. Se entrou Dó sustenido, você montou quinta justa e o vii deixou de ser diminuto.

A prova do Fá sustenido

Leva a mesma fila de casas 3, 5, 7, 8, 10, 12 e 14 pra corda Lá. Agora a casa 3 é Dó. Nomeia os sete acordes sem olhar a seção de Dó. O certo é C, Dm, Em, F, G, Am, Bdim. Acertou nos dois tons: o mapa é seu. Errou o sétimo de Sol e chamou de Fá: volta na armadura. O Fá sustenido é a única alteração de Sol maior, e ela aparece no V (Ré maior), no iii (Si menor) e no vii (Fá sustenido diminuto). Sumiu nos três, o tom ainda não trocou.

A partir daí, pega uma cifra curta que você já toca em Dó e escreve o romano embaixo de cada acorde. Onde for I, V, vi ou IV, transporta pra Sol com G, D, Em e C. Onde aparecer um acorde de fora, marca “visita” e segue. Você não precisa resolver a visita hoje. Precisa perceber que ela não mora na casa.

Conclusão

Campo harmônico maior é uma ordem só: maior, menor, menor, maior, maior, menor, diminuto. Em Dó, isso vira C, Dm, Em, F, G, Am e Bdim. Em Sol, vira G, Am, Bm, C, D, Em e F#dim. Três maiores nos graus I, IV e V. Três menores nos graus ii, iii e vi. Um diminuto no vii, com a quinta uma casa abaixo da quinta justa. A sétima, quando entrar, faz do V o único dominante da família.

O desenho aberto de Dó foi o primeiro encontro com essa casa. O desenho de casas numa corda só é o que leva a casa pra qualquer tom. Quatro tempos a 60, romano falado antes do acorde, terça conferida uma corda acima. Faz o de Sol até o Fá sustenido sair sem negociação.

Se a tríade ainda balança na hora de empilhar, volta na fórmula dos acordes. Se a escada de tons e semitons escapa, abre a escala maior. E se quiser ver os três pilares trabalhando numa música inteira, a progressão I-IV-V está logo ali, esperando esse mapa.


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