Introdução
Você escuta um acorde com sétima, acha bonito, e na hora de dar nome chuta maj7, menor 7 e dominante como se fossem três apelidos do mesmo bicho. A fundamental pode até ser a mesma. Quem decide o clima é a terça junto com a sétima, e o seu ouvido já escuta essa diferença. Falta um teste curto pra ele parar de mentir pra você, porra.
Além disso, o treino de ouvido já colocou intervalo, tríade e tônica na sua mão. A fórmula dos acordes já mostrou que tétrade é 1, 3, 5 e 7. O que ainda falta é sentar e separar, de ouvido, as três tétrades que mais aparecem na cifra. Sem isso, o ii-V-I vira desenho copiado e o blues vira um “acorde de sétima” genérico.
Por isso este texto fica numa coisa só: reconhecer acorde de sétima de ouvido. Você vai travar a fundamental, ouvir se a terça é maior ou menor, ouvir se a sétima está a um ou a dois trastes da oitava, e montar o acorde em Dó com três notas. No fim tem exercício a 60, na guitarra e no baixo, pra você nomear o acorde antes de olhar pro braço.
Enquanto a guitarra pode mascarar o acorde com seis cordas, baixista, a sua linha sobe uma nota de cada vez. Fica. A conta é a mesma, e no seu instrumento ela fica ainda mais nua.
Por Que Três Tétrades Parecem o Mesmo Acorde

Primeiro, tira o apelido da frente. Guitarrista vê “7” na cifra e lembra de um desenho só, quase sempre o dominante do blues. Aí aparece Cmaj7 e Cm7 e a mão congela, porque os três nomes têm um 7 no final. O 7 avisa que existe uma sétima. Ele não avisa qual.
Então o ouvido compara com a fundamental que acabou de tocar. Essa comparação tem nome: ouvido relativo. Você não precisa nascer reconhecendo um Dó solto no meio da sala. Precisa tocar o Dó e perguntar duas coisas. A terça subiu pouco ou subiu mais? A sétima encostou na oitava ou ficou um tom abaixo dela?
O 7 da cifra não é um tipo só
Na cifra, o costume é este:
- Cmaj7 escreve a sétima maior. Também aparece como CMa7 ou CM7.
- Cm7 escreve terça menor e sétima menor. O “m” é da terça. O “7” é da sétima menor.
- C7, com o 7 solto, escreve terça maior e sétima menor. Esse é o dominante.
Portanto, os três podem compartilhar a mesma fundamental e ainda assim serem três acordes. Em Dó, a nota de baixo continua Dó. O que anda é o miolo.
Qualidade do acorde e função na música
Qualidade é a receita: quais notas entram. Função é o emprego dessa receita dentro do tom. Um C7 é dominante na qualidade. Na música, ele pode ser o V7 de Fá, que é exatamente o papel dele quando a frase segue pra Fá. Um G7 também é dominante na qualidade, e no tom de Dó ele é o V7 de verdade.
Assim, o teste deste guia responde a receita. O emprego vem depois, nas cadências e no ii-V-I. Se você mistura as duas perguntas, o ouvido trava. Primeiro o nome da cor. Depois o cargo dela na música.
A Conta que Separa as Três

A tríade e a tétrade já deram o empilhamento. Aqui a conta serve pra o ouvido ter o que procurar.
- Maj7: 1, 3, 5, 7. Terça maior e sétima maior.
- Dominante: 1, 3, 5, b7. Terça maior e sétima menor.
- Menor 7: 1, b3, 5, b7. Terça menor e sétima menor.
A sétima maior fica 11 semitons acima da fundamental, um semitom abaixo da oitava. A sétima menor fica 10 semitons acima, um tom abaixo da oitava. Dois números. O resto do texto é você ouvindo esses dois números.
As fórmulas em Dó
Em Dó, as quatro notas de cada um ficam assim:
- Cmaj7: Dó, Mi, Sol, Si.
- C7: Dó, Mi, Sol, Si bemol.
- Cm7: Dó, Mi bemol, Sol, Si bemol.
Repara no que muda e no que fica. De Cmaj7 para C7, só o Si desce pra Si bemol. De C7 para Cm7, só o Mi desce pra Mi bemol. De Cmaj7 para Cm7, as duas notas descem um semitom. A fundamental e o Sol continuam no lugar. Cabeça de bagre, se a mão inteira pula de desenho e essas duas notas ficam mudas, você trocou de apelido e o ouvido não recebeu a diferença.
Por que a quinta justa não denuncia ninguém
Sol é a quinta justa de Dó nos três acordes. Ela reforça. Ela não denuncia. Por isso, na hora de treinar, a quinta pode sair. Fica a fundamental, a terça e a sétima. Essas três já dizem o nome.
Quando a quinta também soa abaixada, você saiu desta aula. Aí entra o meio-diminuto, o m7b5: 1, b3, b5, b7. Em Dó, seria Dó, Mi bemol, Sol bemol, Si bemol. O Sol bemol está a um trítono da fundamental. O ii-V-I menor usa esse acorde. Guarda o som. Hoje o foco são as três com quinta justa.
O trítono que só o dominante carrega
No C7, Mi e Si bemol estão a seis semitons um do outro. Esse intervalo é o trítono. É ele que faz o dominante querer andar: o Mi quer subir pra Fá, o Si bemol quer descer pra Lá, e o acorde seguinte natural é Fá.
No Cmaj7, Mi e Si estão a sete semitons, uma quinta justa. O intervalo é estável. A “pimenta” do maj7 é outra: o Si fica a um semitom do Dó de cima, colado na fundamental, como se já tivesse chegado em casa.
No Cm7, Mi bemol e Si bemol também formam uma quinta justa. Não tem trítono. A cor vem da terça menor. O acorde pode preparar um dominante, como o Dm7 prepara o G7, e ainda assim a qualidade dele é menor 7, estável o bastante pra não empurrar do mesmo jeito.
Então, se você ouve um aperto que pede resolução, procura o dominante. Se você ouve a sétima colada na fundamental, com a terça maior ainda de pé, procura o maj7. Se a terça escurece e a sétima fica um tom abaixo da oitava, procura o menor 7.
Primeiro a Terça, Depois a Sétima

O caminho mais curto tem ordem. Invertida, ele vira chute.
Antes, toca a fundamental e segura ela na cabeça. Sem esse chão, terça e sétima viram notas soltas. O guia de treino de ouvido já treinou achar a tônica. Usa ele. Depois volta pra cá.
Maior ou menor, a dois trastes de distância
A terça maior está quatro semitons acima da fundamental. A terça menor está três. Entre as duas cabe um traste.
Em Dó, na corda Ré: casa 2 é Mi, casa 1 é Mi bemol. Toca Dó na corda Lá, casa 3, e em seguida o Mi. Depois o Dó de novo e o Mi bemol. Canta a segunda nota antes de procurar a casa. Se a voz não acha, o dedo está adivinhando, e adivinhação não grava ouvido.
A terça maior soa aberta, estável, “clara”. A menor soa mais fechada, mais grave no humor, mesmo estando só um semitom abaixo. O ouvido aprende por esse contraste, um do lado do outro, com a mesma fundamental.
Maj7 e dominante compartilham a terça maior. O menor 7 é o único dos três com terça menor. Essa pergunta já elimina um dos três. Falta a sétima pra decidir o que sobrou.
A oitava como régua da sétima
A oitava é a mesma nota da fundamental, mais aguda. Em Dó, na corda Sol, a casa 5 é Dó. Desse Dó pra trás:
- Uma casa abaixo, casa 4, é Si. Sétima maior. É a sétima do maj7.
- Duas casas abaixo, casa 3, é Si bemol. Sétima menor. É a sétima do dominante e a sétima do menor 7.
Toca a oitava, canta, e desce uma casa. Depois desce duas. A de uma casa quase encosta na oitava, e o choque com a fundamental é pequeno e brilhante. A de duas casas deixa um buraco de um tom, mais largo, mais “blues” quando a terça é maior.
Aliás, existe uma quarta tétrade que mistura os lados: terça menor com sétima maior. É o menor com sétima maior, o m(maj7). Em Dó: Dó, Mi bemol, Sol, Si. Ele nasce na escala harmônica menor. Se a terça é menor e a sétima mesmo assim encosta na oitava, você não está num Cm7. Está nesse primo. Reconhece e segue. A aula de hoje são os três mais comuns.
A tabela de três respostas
Junta as duas perguntas e o nome sai sozinho:
- Terça maior e sétima maior: maj7.
- Terça maior e sétima menor: dominante.
- Terça menor e sétima menor: menor 7.
Decorar essa tabela no papel e nunca tocar os três em seguida é guardar figurinha. A tabela só vale depois que o ouvido passou pelo contraste. Toca, canta, nomeia. Aí sim.
No Braço, Três Notas e Um Dedo que Anda

Agora a guitarra. Afinação padrão. Só três cordas: Lá, Ré e Sol. O resto fica mudo. Sem quinta, de propósito.
Confere o nome da casa antes de confiar em mim.
- Corda Lá solta é Lá. Casa 3 é Dó.
- Corda Ré solta é Ré. Casa 1 é Mi bemol. Casa 2 é Mi.
- Corda Sol solta é Sol. Casa 3 é Si bemol. Casa 4 é Si. Casa 5 é Dó, a oitava.
As casas nas cordas Lá, Ré e Sol
- Cmaj7: corda Lá na casa 3 (Dó), corda Ré na casa 2 (Mi), corda Sol na casa 4 (Si).
- C7: corda Lá na casa 3 (Dó), corda Ré na casa 2 (Mi), corda Sol na casa 3 (Si bemol).
- Cm7: corda Lá na casa 3 (Dó), corda Ré na casa 1 (Mi bemol), corda Sol na casa 3 (Si bemol).
O dedo do Dó, na casa 3 da corda Lá, fica plantado nos três acordes. Se a mão decola inteira entre um e outro, você está trocando desenho. O ouvido precisa ouvir a nota que andou, com a fundamental ainda soando na memória.
Do maj7 para o dominante, e do dominante para o menor
De Cmaj7 para C7, a corda Ré continua no Mi. Só a corda Sol desce da casa 4 pra casa 3. Si vira Si bemol. Uma casa. O acorde deixa de sentar e passa a pedir Fá.
De C7 para Cm7, a corda Sol continua no Si bemol. Só a corda Ré desce da casa 2 pra casa 1. Mi vira Mi bemol. O trítono some, porque a terça maior foi embora, e entra a cor menor.
De Cmaj7 direto para Cm7, as duas cordas descem uma casa cada. Ré vai de 2 pra 1, Sol vai de 4 pra 3. Quando esse gesto sair limpo, você escuta a diferença com o olho fechado. Aí o teste deixa de ser visual.
Dois desenhos abertos que você já pode ter na mão
Se essas três notas ainda soam finas demais, compara com dois desenhos abertos de Dó que muita gente já segura.
O Cmaj7 aberto, x32000, é Dó, Mi, Sol, Si, Mi. A sétima maior está na corda Si solta. O C7 aberto, x32310, é Dó, Mi, Si bemol, Dó, Mi. A sétima menor está na corda Sol, casa 3.
Toca um e depois o outro, com o mesmo baixo em Dó. O que desceu foi o Si. É a mesma história da casa 4 para a casa 3, só que espalhada no desenho aberto. O formato menor 7 não tem um aberto tão cômodo em Dó. Por isso o voicing de três notas continua sendo o lugar do treino. O aberto serve pra você reconhecer um som que a mão já produziu sem dar o nome certo.
No Baixo, o Arpejo Lento

No baixo de quatro cordas, afinação padrão, as cordas Lá, Ré e Sol repetem as mesmas casas da guitarra. Casa 3 da Lá ainda é Dó. Casa 2 da Ré ainda é Mi. Casa 4 da Sol ainda é Si. A conta não muda de instrumento. Muda o jeito de apresentar ela pro ouvido.
O baixo conta melhor uma nota por vez. Acorde empilhado esconde a sétima no meio do barulho. Arpejo coloca cada grau na fila. Se você ainda trata arpejo como desenho mudo, o texto de arpejo no braço é o complemento. Aqui o arpejo é ferramenta de escuta.
A mesma casa da guitarra
Pra ouvir só a qualidade, toca as três notas do voicing, na mesma casa da guitarra, devagar:
- Cmaj7: Lá 3, Ré 2, Sol 4.
- C7: Lá 3, Ré 2, Sol 3.
- Cm7: Lá 3, Ré 1, Sol 3.
Fala o nome antes de tocar. “Maj7.” Toca. “Dominante.” Toca. “Menor 7.” Toca. Se você toca primeiro e nomeia depois, está reconhecendo o dedo, não o som.
Uma oitava dizendo o grau em voz alta
Quando as três notas ficarem claras, completa a tétrade com a quinta. A quinta de Dó é Sol, corda Ré na casa 5. Uma oitava, quatro semínimas:
- Cmaj7: Lá casa 3 (Dó), Ré casa 2 (Mi), Ré casa 5 (Sol), Sol casa 4 (Si).
- C7: Lá casa 3 (Dó), Ré casa 2 (Mi), Ré casa 5 (Sol), Sol casa 3 (Si bemol).
- Cm7: Lá casa 3 (Dó), Ré casa 1 (Mi bemol), Ré casa 5 (Sol), Sol casa 3 (Si bemol).
Canta cada nota com o grau: “um, três, cinco, sete”. No menor, “um, três menor, cinco, sete menor”. No dominante, “um, três, cinco, sete menor”. A voz tem que sair antes do dedo. Esse constrangimento de cantar no quarto é o treino. Sem ele, você só memoriza mapa de casa.
Quando a música pede só a fundamental
Na música de verdade, o baixo muitas vezes entrega a fundamental no tempo 1 e segue o caminho. Você não precisa arpejar a tétrade inteira em todo compasso, zé ruela. Precisa ouvir a terça e a sétima que a guitarra, o teclado ou o sopro estão segurando, e saber que qualidade é aquela.
Se a guitarra toca Mi e Si em cima do seu Dó, o acorde é maj7 mesmo que você só tenha tocado a fundamental. Se ela toca Mi e Si bemol, é dominante. Se ela toca Mi bemol e Si bemol, é menor 7. O ouvido do baixista mora nessa conversa, não só na corda grave.
Onde Isso Aparece numa Música de Verdade

Teoria solta no quarto esfria. Estas três cifras você já ouviu. Nenhuma delas pede melodia nem letra. Pede o nome da qualidade.
As três qualidades dentro do ii-V-I
No ii-V-I em Dó, os acordes são Dm7, G7 e Cmaj7. Olha a qualidade de cada um, que é o assunto de hoje, e não só o grau.
- Dm7 é menor 7. Ré, Fá, Lá, Dó.
- G7 é dominante. Sol, Si, Ré, Fá. O trítono está entre Si e Fá.
- Cmaj7 é maj7. Dó, Mi, Sol, Si.
Três compassos, três receitas. Por isso o standard parece “acorde novo” quando o ouvido só lê o apelido. Ele está lendo menor 7, dominante e maj7, nessa ordem, e a fundamental descendo em quintas: Ré, Sol, Dó. Quando você reconhece a receita, o desenho vira consequência.
O blues, onde quase tudo é dominante
No blues de 12 compassos, o I, o IV e o V costumam ser dominantes. Em Mi: E7, A7, B7. Terça maior e sétima menor nos três. A fundamental muda. A qualidade, não.
Então, se você está no blues e o ouvido procura maj7 no acorde do primeiro grau, está procurando a cor errada. O I do blues quer a sétima menor. O I de um standard maior, muitas vezes, quer a sétima maior. Mesma palavra “tônica” na conversa de bar. Receita diferente. Agora você tem como ouvir qual das duas está soando.
Dois trechos famosos, só com a cifra
A seção A de Garota de Ipanema, no tom de Fá, abre em Fmaj7, segue para G7 e chega em Gm7. Maj7, dominante, menor 7. Três qualidades em sequência, com fundamentais diferentes. O texto de harmonia da bossa já andou por esse terreno. Aqui o uso é outro: escuta um acorde de cada vez e aplica as duas perguntas. Terça? Sétima?
O verso de Something, dos Beatles, segura a fundamental em Dó e mexe na sétima. A frase harmônica passa por Dó, Cmaj7 e C7 antes de resolver em Fá. Dó maior ainda é tríade, sem sétima. No Cmaj7 entra o Si. No C7 o Si desce pra Si bemol, e esse C7 é dominante de Fá. Mesma fundamental, sétima andando uma casa, ouvido inteiro mudando de ideia. É o exercício deste post aparecendo numa música que você já ouviu demais pra fingir que é teoria de livro.
Erros que Fazem o Ouvido Chutar

Estes cinco são os que mais devolvem o aluno pro chute. Nenhum deles é falta de dom.
Ouvir seis cordas de uma vez
Acorde cheio, com oitava dobrada e corda solta, embebeda o ouvido. A terça fica escondida. A sétima também. Por isso o treino usa três notas. Quando você acerta com três, volta pro desenho cheio e procura as mesmas duas no meio da massa. A ordem é do seco pro molhado, não o contrário.
Tratar todo 7 como dominante
C7 é dominante. Cmaj7 tem um 7 no nome e é outro acorde. Cm7 também. Se a sua mão transforma todo mundo em dominante “porque tem sétima”, o maj7 perde o Si e ganha um Si bemol que a música não pediu. O acorde deixa de sentar. A culpa é da pressa de ler o número e ignorar a letrinha do lado.
Pular a fundamental
Sem fundamental, a terça e a sétima ainda são notas guia, e no jazz elas seguram a harmonia. Pra nomear a qualidade no treino, porém, você precisa do chão. Toca o baixo primeiro, mesmo que seja uma nota só no celular, no loop ou na corda solta. Aí pergunta da terça e da sétima. Pular essa nota é tentar medir uma distância sem saber de onde a régua começa.
Confundir m7b5 e menor com sétima maior com as três da aula
Se a quinta soa abaixada, para. É m7b5, ou um diminuto, e a quinta justa deixou o prédio. Se a terça é menor e a sétima encosta na oitava, para também. É m(maj7). Os dois são tétrades de verdade. Eles só não estão na tabela de três respostas. Forçar um deles pra dentro de “menor 7” é o ouvido preguiçoso escolhendo o nome mais familiar.
Acelerar antes de acertar devagar
A 120 bpm, com banda, você vai errar o nome e a mão vai te salvar pelo desenho. A 60, em semínima, não tem onde se esconder. O guia de como praticar já disse que frequência curta vence sessão heroica. Aqui vale igual: cinco minutos por dia nestes três acordes, durante duas semanas, mudam mais do que uma tarde inteira no chute.
Perguntas Frequentes

Preciso de ouvido absoluto pra isso?
Não precisa. Ouvido absoluto reconhece a nota sem referência. O teste daqui usa a fundamental que você acabou de tocar. Isso é ouvido relativo, e é o que a música do dia a dia pede. A referência está na sua corda.
Tríade maior e maj7 são o mesmo som?
A tríade maior é 1, 3, 5. O maj7 acrescenta a sétima maior. Em Dó, a tríade para em Sol. O maj7 ainda entrega o Si. Toca x32010, que é o Dó maior aberto, e em seguida x32000, o Cmaj7. A corda Si desce de Dó (casa 1) pra Si (solta). Essa descida é o detalhe. Quem chama os dois de “Dó maior” está ouvindo a terça e ignorando a sétima.
Todo acorde com 7 na cifra é dominante?
O 7 solto, como em C7, G7 e E7, é dominante. Maj7 e m7 também carregam sétima, e a receita é outra. Lê a letra que vem antes do número. Ela existe pra você não transformar tudo em blues.
No violão a casa muda?
Na afinação padrão, não. As casas da Lá, da Ré e da Sol são as mesmas da guitarra. O que muda é a mão, o tempo de corda e, às vezes, a vontade de enfeitar com dedilhado. Pra este teste, dedilha as três notas devagar. Enfeite depois que o nome sair certo.
A nona muda a qualidade?
A nona de Dó é Ré, nos três acordes. Cmaj9 continua na família do maj7, porque o Si está lá. C9 continua dominante, porque o Si bemol está lá. Cm9 continua menor 7. A nona colore. Quem classifica a tétrade continua sendo a terça e a sétima. Se a nona te distrai, tira ela do voicing até o nome sair limpo.
Exercício em Dó: Três Acordes, Sem Cifra na Frente

Pega o metrônomo. 60 bpm. Uma nota por clique. Guitarra ou baixo, tanto faz, desde que as casas sejam as desta página. Celular em modo avião ajuda mais do que coragem.
Metrônomo a 60
Toca a fundamental, corda Lá casa 3, e deixa ela sustentar na cabeça. Quatro cliques só nela, se precisar. O ouvido tem que aceitar que o chão é Dó antes de você oferecer outra nota.
O teste da oitava
Na corda Sol, casa 5, toca a oitava. Canta ela. Desce pra casa 4 e canta “maior”. Desce pra casa 3 e canta “menor”. Volta pra oitava. Repete até a voz acertar a casa sem o olho puxar o dedo. São dois alvos. Não tem mistério escondido no meio.
Três notas, depois o arpejo
Toca o Cmaj7 de três notas: casas 3, 2 e 4. Segura. Nomeia em voz alta. Passa pro C7: casas 3, 2 e 3. Nomeia. Passa pro Cm7: casas 3, 1 e 3. Nomeia. Volta pro Cmaj7. A fundamental não sai da casa 3.
Em seguida, no baixo ou na guitarra, faz o arpejo de quatro notas com a quinta na corda Ré, casa 5. Sobe e desce. Um grau falado por nota. Se a voz erra o “sete” ou o “sete menor”, para nessa tétrade. As outras esperam.
A prova do dominante resolvendo em Fá
O C7 pediu pra sair. Então atende. Na corda Ré, o Mi da casa 2 sobe pra Fá na casa 3. Na corda Sol, o Si bemol da casa 3 desce pra Lá na casa 2. O Fá é a fundamental do acorde de chegada. O Lá é a terça maior de Fá. Toca as duas juntas: Fá na corda Ré, casa 3, e Lá na corda Sol, casa 2.
Assim o trítono resolve. Mi sobe meio tom e vira a fundamental de Fá. Si bemol desce meio tom e vira a terça. Agora faz a maldade útil. Tenta a mesma ida saindo do Cmaj7, com o Si ainda na casa 4. O Si quer subir pra Dó, colado na fundamental, e não quer cair pra Lá. Se os dois acordes empurraram do mesmo jeito no seu ouvido, volta pro teste da oitava. A sétima ainda está genérica.
Grava, embaralha e nomeia
Grava seis acordes, só as três notas, em ordem sorteada. Dois de cada. Espera um minuto. Ouve sem olhar a mão no vídeo, se filmou, ou sem olhar o que anotou. Escreve maj7, dominante ou menor 7 embaixo de cada um. Aí confere.
Cinco ou seis certos: repete amanhã noutro tom, subindo o desenho um traste, em Ré bemol, com a mesma forma. Três ou menos: fica em Dó. Subir de tom com o ouvido ainda chutando em Dó é vaidade, e vaidade não afina sétima.
Quando acertar em Dó e em Ré bemol, abre o ii-V-I e nomeia Dm7, G7 e Cmaj7 antes de pensar em desenho. Aí o ouvido e a cifra finalmente estão falando da mesma coisa.
Conclusão
Maj7, menor 7 e dominante cabem em duas perguntas. A terça é maior ou menor? A sétima está a uma casa da oitava ou a duas? Em Dó, isso é Mi ou Mi bemol, Si ou Si bemol, com o Dó plantado na casa 3. O dominante ainda carrega o trítono. O maj7 senta. O menor 7 escurece a terça e segue sem aquele aperto.
A partir daí, o desenho deixa de ser o professor. O som é que dá o nome, e a mão só confirma. Cinco minutos, a 60, com a voz na frente do dedo. Faz isso antes de abrir a próxima cifra cheia de 7.
Se a tônica ainda escapa, volta no treino de ouvido. Se a receita da tétrade ainda balança no papel, abre a fórmula dos acordes. E se quiser ouvir as três qualidades trabalhando juntas, o ii-V-I está logo ali, esperando esse ouvido novo.





